Iniciação Científica
Investigação da Exposição Crônica da Ayahuasca em Modelos Comportamentais Ligados a Função Motora de Camundongos
Pesquisador
Maria Eduarda Galdino
Instituição
Orientador
Co-Orientador
Bolsa
Período
Status
Resumo
A Ayahuasca, originária da floresta amazônica, é uma infusão de planta psicodélica enteogênica, ou seja, uma substância usada tradicionalmente em contextos religiosos, xamânicos ou espirituais. Os principais ingredientes de uma infusão de ayahuasca são Banisteriopsis caapi, uma videira também chamada de ayahuasca independentemente, e uma planta contendo N,N-dimetiltriptamina (DMT), tipicamente Psychotria viridis, também chamada de chacrona. Esta preparação contém o agonista psicodélico do receptor 5-HT2A N,N-dimetiltriptamina (DMT) de P. viridis, além de alcalóides de β-carbolina com propriedades inibidoras da monoamina oxidase (MAO) provenientes da B. caapi. Do ponto de vista toxicológico, os efeitos da Ayahuasca podem variar de acordo com sua composição e quantidade ingerida, podendo causar efeitos nocivos ao organismo, sendo os mais comuns a desidratação, por conta das náuseas, o vômito e a diarreia. Como consequência grave do uso da Ayahuasca, há a síndrome serotoninérgica, por excesso de serotonina, uma vez que a inibição da MAO promove o aumento dos níveis de serotonina no cérebro por bloquear sua degradação pela estimulação dos receptores da MAO. Além disso, esta enzima degrada neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina no cérebro, controlando seus níveis. O presente projeto tem como objetivo avaliar os efeitos da exposição crônica da ayahuasca no fenótipo comportamental em camundongos para, em seguida, avaliar os efeitos deste tratamento em modelos comportamentais ligados à função motora, uma vez que alterações na enzima MAO poderão levar à toxicidade.
Objetivos
Caracterizar o fenótipo comportamental da administração de micro-doses e doses terapêuticas de ayahuasca e verificar a possíveis alterações na atividade geral e em comportamento repetitivos de camundongos.
Metodologia
Utilização de camundongos machos C57BL/6 SPF, mantidos em condições controladas de temperatura, umidade e ciclo claro/escuro, com livre acesso à água e ração esterilizadas. Após período de aclimatização, os animais serão distribuídos em grupos experimentais controle e tratados com diferentes doses de ayahuasca administradas na água de bebida durante 67 dias. O chá será previamente liofilizado, armazenado a −80 °C e submetido à análise química para determinação das concentrações de DMT, harmina, harmalina e tetrahidro-harmina. Durante o tratamento serão monitorados o consumo hídrico e alimentar. Ao final do protocolo, os animais serão submetidos a avaliações comportamentais por meio do protocolo SHIRPA, teste de campo aberto e análise do comportamento repetitivo de autolimpeza. O protocolo SHIRPA permitirá investigar alterações motoras, sensoriais, neuropsiquiátricas e musculares, enquanto o campo aberto avaliará parâmetros locomotores e exploratórios. O comportamento repetitivo será analisado por gravação e quantificação do tempo e frequência de autolimpeza. Os dados serão analisados estatisticamente por ANOVA two-way seguida do pós-teste de Tukey, considerando significância de p ≤ 0,05, e expressos como média ± desvio padrão.